Malva-maçã Poems

 

 

The malva-maça (lit. "mallow-apple"), is a sweet-smelling plant which  perhaps can be identified with the malva cheirosa or "rose geranium" (botanical name Pelargonium graveolens L.)  It is definitely not a hollyhock.

 

 

Álvares de Azevedo (Brazil, d. 1852)

Malva-maçã

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De teus seios tão mimosos
Quem gozasse o talismã!
Quem ali deitasse a fronte
Cheia de amoroso afã!
E quem nele respirasse
A tua malva-maçã!

Dá-me essa folha cheirosa
Que treine no seio teu!
Dá-me a folha... hei de beijá-la
Sedenta no lábio meu!
Não vês que o calor do seio
Tua malva emurcheceu...

O teu seio que estremece
Enlaguece-me de gozo.
Há um quê de tão suave
No colo voluptuoso,
Que num trêmulo delíquio
Faz-me sonhar venturoso!

Descansar nesses teus braços
Fora angélica ventura:
Fora morrer – nos teus lábios
Aspirar tua alma pura!
Fora ser Deus dar-te um beijo
Na divina formosura!

Mas o que eu peço, donzela,
Meus amores, não é tanto!
Basta-me a folha do seio
Para que eu viva no encanto,
E em noites enamoradas
Eu verta amoroso pranto!

Oh! virgem dos meus amores,
Dá-me essa folha singela!
Quero sentir teu perfume
Nos doces aromas dela...
E nessa malva-maçã
Sonhar teu seio, donzela !

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Sérgio Luiz (?)

Malva-maçã

Malva-maçã
Pingo de hortelã
Flor de flamboyant
Jabuticaba, romã

Banana-maçã
Raio de sol na manhã
Muiraquitã
Tupiniquim talismã

Água brava
Água de Muriqui, de Saí
Na verdade eu moro lá
Mas namoro aqui

Descansa no meu braço esse
cansaço, esse afã

E faz de mim o seu Deus, o seu tupã

E eu faço de você a minha
malva-maçã

Haydee Nicolussi (Brazil, d. 1970)

IDEAL

Quero que a manhã de ouro e rosa, cheirando à terra molhada,
me venha buscar em meu leito, forrado de linhos brancos,
para a faina suave do lar:
-quero fogo para o meu fogão limpo,
quero vasos de plantas rústicas em meu balcão de pedra,
quero despertar o Amado com frutas silvestres e mel
e o pão feito da flor do trigo, a flor da farinha mais pura.

Que o Amado seja guerreiro, trovador ou artesão, não importa!
mas que seja trigueiro de sol e bom como madeira de lei:
-quero o bastidor de bordar, a vassoura, a prancheta, o ancinho
e a cartilha para ensinar ao meu filho a magia maior da vida
enquanto ele forja em aço e óleo a era nova do mundo
nesse meio-dia violento da civilização cristã.

Que a tarde cor de morango e nuvens de madrepérola,
me encontre com o dia ganho e a consciência tranquila,
toda paz e amenidade, vestida de linhos claros:
-quero reeber o Amado ao retorno do labor diário,
com a água do banho pronta e a mesa posta, florida.
e carícias nas mãos de seda, cheirando à malva maçã.

E quando a noite vier de manso, misteriosa, calada,
calçando a sandália da lua,cheia de colares de estrelas...
ficarei bem quieta em meu canto, ouvindo a música do vento
ou a voz do Amado relendo os livros mais belos da terra.
Até que no alto silêncio da madrugada friorenta,
a sua voz se quebre de sono e a sua fronte descaia
e eu me apague de manso em seus braços como uma lâmpada velada...

 

Luís Guimarães Júnior

(Brazil / Portugal, d. 1898)

A Sertaneja

Eu sou a virgem morena,
Robusta, lesta, pequena
Como a cabrita montês;
Vivo cercada de amores,
E aquele que fez as flores,
Irmã das flores me fez.

Vinde ver, ó boiadeiros,
Meus vestidos domingueiros,
Meus braços limpos e nus:
Ah! vinde ver-me enfeitada
Com minha sala engomada,
Com meus tamancos azuis.

Sertanejos, sertanejos,
Pedis debalde os meus beijos,
Em vão pedis meu amor!
Eu sou a agreste cutia,
Que se expõe à pontaria
E ri-se do caçador!

A sertaneja morena
Bonita, forte, pequena,
Não cai na armadilha, não:
A jaçanã corre e voa
Quando vê sobre a lagoa
A sombra do gavião.

Sou órfã, donzela e pobre,
Vistosa telha não cobre
O lar que herdei de meus pais:
Que importa? Vivo contente:
Ser moça, bela e inocente
É ter fortuna demais!

Quem tece e protege o ninho,
Quem defende o passarinho,
Quem das mãos espalha o bem,
Quem fez o sol e as estrelas,
Dando a virtude às donzelas,
Deu-lhes a força também.

A Virgem nunca se esquece
Da mais tosca e simples prece
Que voa ao seio de Deus;
Por cada infeliz que chora
Abre na terra uma aurora,
Crava uma estrela nos céus.

Sertanejos, sertanejos,
Podeis morrer de desejos,
Que eu não me temo de vós!
A sertaneja faceira
É mais que a paca ligeira
Mais que a andorinha veloz.

Sou viva, arisca, medrosa,
Bem como a onça raivosa
Pronta ao mais leve rumor!
No meu cabelo selvagem
Sente-se a morna bafagem
Das matas virgens em flor.

No samba quem puxa a fieira ,
Melhor, melhor que a trigueira
Maravilha dos sertões?
Que peito mais brando anseia,
Quem mais gentil sapateia,
Quem pisa mais corações?

Ai! Gentes! Ai! Boiadeiros!
Não sois decerto os primeiros
Que o meu olhar cativou:
Desta morena a doçura
É como frecha segura:
Peito que encontra — rasgou!

Minha rede é perfumada,
Como a folha machucada
Da verde malva-maçã:
Nela me embalo sonhando,
E dela salto cantando,
Quando vem rindo a manhã.

Sonho com jambos e rosas,
Com as madrugadas formosas
Deste formoso sertão:
Meu sonho é como a canoa,
Que voa, que voa e voa
Nas águas do ribeirão.

Trago no seio guardado
O rosário abençoado
Que minha mãe me deixou:
Ai! Gentes! Ai! Pastorinhas!
Se estão alvas as continhas
Foi que meu pranto as lavou.

Quem é mais feliz na terra?
Quem mais delícias encerra,
Quem mais feitiços contém?
Vem moreno boiadeiro,
Desafiar meu pandeiro
Com tua guitarra, — vem!

Raiou domingo! Que festa!
Que barulho na floresta!
Quanto rumor no sertão!
Que céu! que matas cheirosas
Quanto perfume nas rosas,
E quantas rosas no chão!

Vinde ouvir-me na guitarra:
Não há nas brenhas cigarra
Que me acompanhe, — não há!
Trazei, trazei, boiadeiros,
As violas, os pandeiros,
Os búzios, o maracá!

Eu sou a virgem morena,
Robusta, lesta, pequena
Como a cabrita montês:
Vivo cercada de amores,
E aquele que fez as flores,
Irmã das flores me fez.

Prose piece with malva-maça in it

First hollyhock page (French avante-garde hollyhock poems)

Second hollyhock page (twenty-odd more hollyhock poems in five languages)

 

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